Outubro 10, 2019

 

Eu lembro até hoje do dia em que apertei meu seio no banho e saiu colostro. A sensação que tive foi esquisita. Eu estava gestando meu primeiro filho, portanto nunca tinha passado pela experiência de amamentar. Ver o ‘leite’ sair do seio que antes só recebia estímulos sexuais, me causou muita estranheza.

Conforme me aproximava do parto, eu me informava sobre amamentação e decidia consciente e naturalmente o caminho que queria seguir. Percebia o poder do meu corpo e o quão inteligente ele é, e assim, deveria confiar nele para a amamentação também.

Nasceu o Sebastian, e por complicações no pós parto não pude amamentá-lo logo na primeira hora de vida como eu planejei. Nem por isso me frustrei. Assim que pude pega-lo, coloquei em meu seio e o ajudei a encaixar a pequena boca no bico envolto pela enorme e escura aréola. Naquele momento curioso, senti ele sugar o colostro, o leite descer - numa espécie de coceira interna - e o mais emocionante: que eu era mãe. Eu senti que era mãe daquele bebê!

Logo em seguida tanto calor em pleno inverno e muita, muita sede. Enquanto olhava aquele bebê tão pequenino, meu corpo se excitava de alegria e amor, e então eu percebi que era a ocitocina. Conforme ele mamava, uma cólica muito forte aparecia, agora, era meu útero voltando lentamente ao seu tamanho habitual. A ocitocina faz isso.

No segundo dia ele já tinha um seio preferido, era o esquerdo, fazendo o direito ficar mais cheio. Naquela noite tive dor e sensação de febre nos seios. Logo, aprendi a aliviar com água quente do banho e ordenhar manualmente para o leite não empedrar.

No início o meu corpo produzia tanto leite, mais do que meu bebê podia mamar, pois precisava conhecer o ritmo do Sebastian e a demanda dele. Por isso, e por tanta outras questões, eu oferecia livremente, ou seja, quando ele queria e quando eu sentia meus peitos muito cheios.

Foi assim, exclusivamente até os seis meses, onde já existia muita singularidade e ritmo. Depois da introdução alimentar segui amamentando em livre demanda, apenas complementava com a apresentação dos alimentos, pois a maior nutrição dele seguia sendo o leite, o meu leite, até o primeiro ano ser completo.

Como foi uma escolha minha amamentar a longo prazo, eu sabia que conforme ele se desenvolvesse, seria eu a guiar um desmame gentil, caso não quisesse amamentar mais. O que, gradualmente, foi acontecendo. Estabeleci horários e depois locais, especificando ainda mais, ao ponto de atualmente ele mamar apenas três vezes ao dia: antes de dormir à noite, na madrugada e antes do sono da tarde. Somente no quarto dele.

Sebastian tem 2 anos e 3 meses, conversamos muito desde sempre, e ele já sabe que o próximo passo será o desmame noturno seguido do total. Quando vai acontecer? Não sei. Não quero colocar uma data específica. Mas será em breve. Sabemos. Sentimos.
Não é fácil.
No entanto, estou muito satisfeita com essa fase que tivemos e sei que ela precisa acabar, ficando apenas na lembrança com um imenso carinho.

Amamentar foi das experiências mais incríveis que tive na vida. Me ensina tanto...
Dói, é sofrido, solitário e precisa muito ser colocado em pauta, mas talvez por ser assim, me proporcionou ter paciência, resiliência, autoconfiança, autoconhecimento...

Aprendi a me esvaziar de mim mesma para me encher através do outro, o meu filho. Literal e metaforicamente.
Ter buscado apoio e informações foi necessário, contudo, apenas a humildade, a conexão com a minha alma e a sabedoria da natureza, adquiridas na minha experiência própria, foram capazes de me fazer racionalizar a força criadora e selvagem que tenho - todas temos - para sentir e entender quanto poder, doação, quanto amor existe no ato de amamentar.

Raínna Nazário Costa, mãe do Sebastian.


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